SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE PIRACICABA

TRIBUTO À MULHER

8 de março de 2012 • André Cruz

No dia oito de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Embora já celebrado desde 1910 em alguns países, somente em 1975 a ONU decretou esse dia como oficial. O Dia Internacional da Mulher é uma homenagem à luta de 129 tecelãs que, em 1857, foram mortas queimadas dentro de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, nos Estados Unidos, queima promovida por policiais a mando de seus patrões, pois estavam em greve dentro da fábrica reivindicando a diminuição da jornada diária de trabalho para 10 horas (!).

 

Creio que, nesta semana, variados temas relacionados à mulher já foram abordados na imprensa e não pretendo repeti-los. Gostaria de tecer breves considerações sobre a situação da mulher na sociedade a partir da economia. Não vou me referir aos países em que as mulheres nem sequer conquistaram direitos políticos ou econômicos. Vou me ater ao Brasil, país no qual muito já se avançou na conquista dos direitos da mulher, mas ainda se luta pela ampliação das liberdades femininas e igualdade de direitos.

 

Um primeiro aspecto que chama a atenção são os dados do IBGE de 2003 mostrando que, no Brasil, cerca de 33% dos empregos, em média, já são ocupados pela força de trabalho feminina, sendo em torno de 40% nos estados mais desenvolvidos, como São Paulo. Outro dado importante é que as mulheres conseguem superar os homens em número médio de anos de estudo, sendo de 6,3 anos para os homens e 6,6 anos para as mulheres. No caso das mulheres ocupadas ou que trabalham, a diferença é maior: 7,7 anos de estudo para as mulheres e 6,7 anos para os homens. O problema é que, na maioria das ocupações, as mulheres recebem uma remuneração entre 40 e 50% mais baixas do que a dos homens, o que mostra a necessidade da continuidade da luta por seus direitos.

 

Embora reconhecendo que parte deste diferencial de escolaridade resida no fato de que, dada a pobreza da população brasileira, os meninos são encaminhados precocemente para o mercado para auxiliar no orçamento doméstico, não se deve menosprezar que o nível crescente da escolaridade das mulheres em relação aos homens mostra que elas têm realizado um esforço considerável para sua inserção no mercado de trabalho, por meio de sua melhor qualificação.

 

A escolaridade e a ocupação crescentes das mulheres no mercado de trabalho têm a ver, de um lado, com a luta pela sua valorização pessoal e independência financeira e, de outro, com a necessidade de ampliar o orçamento doméstico, seja para garantir um mínimo de renda familiar que assegure uma sobrevivência mais digna à família, seja para ampliar as possibilidades de acesso aos bens e serviços modernos, trazendo mais conforto às suas famílias e um melhor futuro aos seus membros. Um outro dado importante é que, de 1993 a 2003, o percentual de famílias em que a pessoa de referência é a mulher passou de 22,3% para 28,8%, o que representa, entre outros, a crescente importância da renda da mulher para a sustentação das famílias.

 

Qualquer que seja o motivo do maior ingresso das mulheres no mercado de trabalho, a sociedade (leia-se os homens, as instituições e os valores culturais), ainda reserva às mulheres o monopólio do conhecido terceiro turno. Não importa se trabalhe ou se combine estudo e trabalho, o terceiro turno é inevitável, que consiste em administrar a casa e a vida em família (neste caso, quando casadas ou com filhos e parentes para cuidar). Se a mulher tiver alguma auxiliar para os serviços domésticos, um pouco melhor. Se não tiver, bem pior. Em ambos os casos, há uma atividade permanente e diária da mulher no planejamento, organização e manutenção da casa e de seus moradores.

 

Atenta a cada detalhe e a cada necessidade da casa e da família, faz um trabalho de administração eficaz, atendendo não só as necessidades, mas as exigências de seus moradores. Esse trabalho é, na maioria das vezes, imperceptível aos olhos da sociedade e da própria família. Se tudo correr bem, não faz mais que a obrigação. Se algo eventualmente não funcionar, mesmo que em meio às dificuldades da vida atual, poderá ser injustamente cobrada e criticada. Esquecem-se os críticos de reconhecer o esforço realizado pela mulher e avaliar o que seria uma casa sem a presença da alma feminina.

 

É dessa mulher, casada, solteira, viúva, namorada ou separada, que também se exige o carinho e a atenção a todos, a vigilância aos compromissos e relações sociais, os cuidados pessoais e a manutenção da atração, além da disponibilidade para o amor quando for o caso. Como se vê, o número de compartimentos da mulher tem de ser extremamente amplo e ela tem de dar conta de todos. Ampliou-se a liberdade, mas não na mesma proporção os direitos e a divisão de responsabilidades. Pois é a essa mulher, forte na sua fragilidade, batalhadora e incansável na luta pela sobrevivência e apaixonada em meio às dificuldades da vida, que rendo minhas homenagens.

 

(*) Secretário Municipal de Educação

 

 

 

 

 

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